JORNALISMO SÉRIO É ISSO?

No rastro de uma notícia sensacionalista dada pelo Portal UOL, que acusa o técnico Cuca de ser o responsável pela não convocação de Ronaldinho Gaucho _ por contar ao Felipão sobre supostos atrasos e farras do jogador _  uma mensagem pipocou oportunamente na internet. Vejamos a seguir:

Sob uma pseudo aura de credibilidade (que só ele acha que tem), o sr. Jaeci Carvalho costuma soltar bombas imaginárias que quase nunca se concretizam na vida real. As chamadas bombas do Jaeci só divertem a moçada, ninguém leva a sério. São traques atirados aleatoriamente para captar audiência. Mas vamos deixar os programas dele em paz. São risíveis. Vamos tratar do tweet que ele postou hoje.

Vejam:

Considero essa mensagem puro veneno destilado pelas costas, pois lança no ar uma dúvida que não existe! Primeiro porque Felipão não disse nada disso. E segundo, porque Cuca já desmentiu tudo aquilo que o site do UOL noticiou, inclusive dizendo que Felipão só ligou, tempos atrás, para saber do ombro do Bernard. Mais nada. Mesmo assim, o sr. Jaeci não foi capaz de conter sua vaidade borbulhante, mesmo às custas de contaminar o ambiente.

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SUPERINTENDENTE DO CRUZEIRO INCENTIVA PANCADARIA NA DECISÃO!

O desespero cruzeirense está atingindo as raias do absurdo.

O superintendente das categorias de base do cruzeiro, sr. Bruno Vicintin, publicou em seu twitter nesta segunda-feira, 13/05, a clara intenção de, no próximo duelo entre seu clube  e o Atlético, se não der na bola, que o time azulino parta para a pancadaria.

Ele foi bastante explícito. Vejam:

O sr. Vicintin apagou o tweet, depois de censurado pelos próprios cruzeirenses.

Destempero, desespero, irresponsabilidade e falta de caráter se juntam numa mesma pessoa. Pessoa esta que deveria, devido ao cargo que ocupa, ter um comportamento exemplar e não o de um bandido.

E O REPRESENTANTE DO CRUZEIRO NA BAND SEGUE A ONDA DE  INVESTIR NA VIOLÊNCIA.

Seguindo a mesma linha de incitamento à violência, o sr. P.C. Almeida, representante do cruzeiro no programa Os Donos da Bola, da Tv Bandeirantes, tuitou hoje aquilo que ele imagina ser a melhor tatica para enfrentar o Atlético:

1 – Irresponsailidade insana vinda de uma pessoa que trabalha (até quando?) em um veículo de comunicação tão importante quanto a TV Bandeirantes.

2 – O incentivo à pancadaria dentro de campo extrapola as 4 linhas e se alastra para as arquibancadas.  Principalmente quando sabemos que as duas torcidas se encontrarão no próximo domingo, no Mineirão. É como acender um estopim no pior momento.

3 – A PMMG tem a obrigação de inquirir severamente os srs. Bruno Vicintin e P. C. Almeida. E até o MP deve ser acionado (ação esta que será tomada).

Em tempos de extremada violência, com perdas de vidas só porque vestem uma camisa do time rival, é monstruoso que duas pessoas formadoras de opinião incitem explicitamente a pancadaria.

Nota: Ambos apagaram os tweets sob a justificativa de que se expressaram mal. Segundo eles, pediam apenas uma maior pegada do time em campo. As desculpas dos dois foram idênticas. Sinal de que, além de irresponsáveis, são também pouco criativos… ou não estudaram o que significa “sinônimo” em português.

Print screen feito pelo @RafaelOrsini, criador do blog paixaopretoebranca

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O DIA EM QUE MINHA MÃE SE TORNOU ATLETICANA

Na campanha do Galo de 1999, a partir das oitavas de final, eu adotei um ritual. Como morava no Rio de Janeiro, vinha todo final de semana que tinha jogo, ia ao Mineirão e pegava a estrada direto para voltar depois dos jogos. Chegava ao RJ de madrugada, sempre feliz.

Naquele ano, pra quem se lembra, os mata-matas eram em três jogos, sendo os dois últimos na casa do time que tinha feito melhor campanha. O Galo chegou à final contra o Corinthians, um jogo no Mineirão, dois em SP.

Vim para BH, obviamente. Na saída para comprar os ingressos, perguntei para minha mãe e para minha irmã se não queriam ir comigo. Não há notícia de qualquer uma delas em um estádio antes disso. Disse para a minha mãe que ela ia se apaixonar pela torcida do Galo. Ela se animou, acho que mais pela minha empolgação do que por qualquer outra coisa – mãe é mãe – e decidiu ir. Ficou toda feliz quando emprestei para ela uma das minhas camisas do Galo, para ela poder ir vestida a rigor. Minha irmã, flamenguista como meu pai, disse que ia também, mas se recusou a vestir uma camisa do Galo.

Minha mãe gostava de futebol, mas nunca tinha declarado torcida para nenhum time. Dizia que torcia para a seleção – e como torcia, ficava doidinha. Era comum ouvir ela explicando, depois de alguma vitória do Brasil: “Isso é bonito demais, gente!”

Aliás, se tinha Brasil escrito em algum lugar do uniforme, podia ser seleção de qualquer coisa, purrinha ou copo d’água, ela torcia, e muito.

A paixão da minha mãe era essa: o Brasil. O esporte era só um meio de comunicação com a pátria. Não é difícil entender porque uma mulher que era 100% a favor da liberdade e foi presa, grávida de nove meses, no auge da ditadura, gostava tanto de poder gritar Brasil sem medo.

Pois lá foi ela, vestida de preto-e-branco, mais por amor ao filho do que por amor ao Galo. Naquele dia estiveram em campo 90 mil atleticanos. Chegamos bem mais cedo, para ter certeza de pegar um bom lugar na arquibancada, e então tivemos tempo de saborear a torcida durante muito tempo antes do jogo.

O Galo fez um gol com 1 minuto de jogo. Não me esqueço da cena da Gaviões abaixando o bandeirão correndo para ver o que tinha acontecido.

O Galo deu um show e ganhou por 3×2. A torcida deu um show maior  ainda e, cantando o hino, ganhou mais uma integrante, minha mãe. Vestida em preto-e-branco, ela explicou: “Isso é bonito demais, meu filho!”, e me agradeceu muitas vezes, depois desse dia, por ter proporcionado a ela a visão tão próxima de 90 mil amores incondicionais.

Julia se foi num dia 13, no ano de 2011. Sofreu um AVC logo depois de passar a madrugada torcendo para a seleção brasileira de vôlei. Sempre brasileira. Sempre minha mãe. Atleticana desde uma vez, em 1999, até morrer.

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REAJUSTE DO GNV – UM TIRO NO PÉ?

O GNV (Galo Na Veia), programa de sócio-torcedor do Atlético, que deu tão certo desde sua criação, sofreu um reajuste. Foi de R$ 200,00/mês para R$300,00 mensais.

Um aumento de 50%!!

Quando o plano foi acionado, o time não tinha os jogadores que tem hoje. Portanto, o plano, para a época, era caro. Mesmo assim, a Massa aderiu e fez dele um sucesso de vendas.

Agora sim, com os nomes que figuram no elenco do Galo, o valor de R$ 200,00 por mês seria justo. Um aumento de 25% (R$ 250,00/mês) talvez fosse absorvível pela maioria.

Mas 50% de reajuste, na minha modesta opinião, é abusivo. Muitos que o adquiriram, mesmo à custa de sacrifícios pessoais, serão obrigados a abrir mão do GNV em prol da minoria endinheirada que paga R$ 300,00 com um pé nas costas. Resta saber até quando, pois, do mesmo modo que o mundo dá voltas, as fases dos times também.

A diretoria do Atlético deixou (ou impôs) uma opção: caso o sócio pague o valor anual à vista, pagará o valor antigo: R$ 200,00 X 12 = R$ 2.400,00.

Se pagar parceladamente, o valor anual subirá para R$ 3.600,00. Um absurdo, pois se adquirir um empréstimo de R$ 2.400,00 no banco, você pagará em torno de R$ 258,00 mensais!! Ou seja, no total seriam R$ 3.096,00, bem abaixo dos R$ 3.600,00 estipulados pelo Galo.

Em suma, muitos encherão os cofres dos bancos em detrimento de ajudar o próprio clube simplesmente porque o time do coração, ao invés de aumentar as mensalidades com alguma racionalidade, resolveu sangrar os bolsos dos atleticanos de uma maneira que eu considero vil e desumana.

Sabemos que o futebol já se converteu, há tempos, em “business”. Mas, ao mesmo tempo, entendemos também que, no futebol,  para sustentar qualquer grande negócio é necessário ter um público fiel. Aquele torcedor que segura a barra até nos piores momentos. E, na minha visão, o Clube Atlético Mineiro está descartando justamente essa parcela da torcida.

Está desprezando aqueles que pagaram mais do que merecia o valor inicial do plano. Pouco a pouco, a qualidade da equipe foi se ajustando ao preço cobrado. Mas agora, com esse aumento estratosférico, a diretoria do Galo define: nós não precisamos de vocês, que nos ajudaram no início! Futebol é dinheiro… e SÓ dinheiro! Descartamos vocês, embora nos tenham dado a mão quando precisamos!

Há que se ter limites para tudo na vida, ainda mais quando tratamos com o coração atleticano, um coração que sangra há 42 anos sem um título brasileiro. Se seguir por essa lógica, teríamos de ser ressarcidos com R$ 300,00 mensais X 42 anos!!

Futebol é negócio, entendemos, mas nunca deixará de ser paixão! E receio que desprezar esse detalhe importante pode acabar se tornando um tiro no próprio pé!

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GUILHERME, A INCÓGNITA – MISSÃO PARA CIENTISTAS.

Quando Guilherme chegou ao Galo, eu, por coincidência, tinha visto um jogo seu poucos dias antes, na Rússia.

Não fez nada, foi um dos piores em campo. Por esse motivo, não me entusiasmei pela contratação. Mas não critiquei sua vinda esperando que ele se recuperasse sob o sol deste país tropical. Afinal, na Rússia, as temperaturas abaixo de zero influem diretamente nas atuações, todo mundo sabe disso. E tive a esperança de dar certo, mesmo sabendo que quando foi vendido pelo cruzeiro, ele já não estava bem.

Mas Guilherme, tirando o campeonato mineiro de 2012 e algumas poucas partidas no 1º turno do Brasileiro, não encontrou seu lugar. Até hoje não sabemos qual posição é seu habitat, aquele terreno que ele conhece como ninguém. Pois em todos os setores de campo, ele não produziu o que se esperava dele.

É atacante? Não, é meia. É meia? Não, é atacante. Joga pelos lados? Não, joga centralizado. Joga mais pelo centro? Não, joga pelos lados. Ora, ora, que raios de jogador é esse que nem a própria torcida sabe a sua real posição, aonde ele rende mais? A posição verdadeira do Guilherme é uma incógnita digna de ser estudada por cientistas renomados!

E vem agora, justo numa semana decisiva, proclamar aos 4 ventos a sua insatisfação com a reserva! Quer entrar no lugar de quem? Ronaldinho? Tardelli? Bernard? Jô?

Faça-me o favor! Quando Guilherme entrou, por uma contingência, no lugar de um dos citados, só faltou dormir em campo!

Poucos tiveram tantas chances de jogarem, mostrarem futebol e se firmarem no time titular do Galo. Mas Guilherme não conseguiu sequer botar uma pulga atrás da orelha do Cuca!

Pena que tenha custado tanto dinheiro porque agora será um dificultador para sua saída. Pena que o clube tenha recusado proposta de ouro do CSKA no ano passado. Pena que Guilherme tenha sido apenas uma penugem que não fez diferença. Nem cosquinha!

E quer forçar a barra para ser titular…

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SACANAGEM TEM LIMITES!

Um torcedor postou fotos no twitter de ingressos comprados (ou doados) para o jogo contra o São Paulo no dia 08.05.2013. Bacana demais, não fosse pelo fato de que a venda só começará amanhã às 10:00 hs.

É revoltante ver ingressos nas mãos de pessoas quando as filas na sede já dobram esquinas. Filas estas que irão passar a noite ao relento, no frio da temperatura e no frio da sensibilidade humana.

Enquanto os pobres estão no limbo, os ricos escracham.  Por arrogância ou por vaidade, postam a foto dos ingressos nas redes sociais, como se dissessem: enquanto vocês penam na fila, eu já tenho os ingressos! OLHEM AQUI!

A diretoria do Galo está a par disso? A BWA compactua com esse disparate? Ou ninguém, nessa hora, não sabe de nada a exemplo do que vemos no governo?

Não acuso a diretoria do Galo nesse momento. São tantas as mãos que controlam as emissões de ingressos que impossibilita a nós, que estamos de fora, acusar com provas.

Mas, se têm o nome do garoto que denunciou e postou as provas, cravo que até um mero iniciante resolveria esse caso com um pé nas costas. Só não esclarecem se não quiserem!

Sacanagem com a torcida do Galo tem limites!

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DEPENDÊNCIA TARDELLIANA E O LU(I)XO DO MINEIRÃO.

SOBRE O JOGO:

Eu tinha dúvidas sobre a real importância de Bernard e Tardelli no dinamismo tático da equipe atleticana. Hoje não tenho mais. Os dois jogadores, mais Ronaldinho Gaucho, são os responsáveis diretos pelo jogo criativo, veloz e envolvente que o Galo desenvolvia até então.

Com suas ausências, a equipe empobreceu tecnicamente de uma tal forma que no jogo contra o Villa Nova custou a estabelecer um domínio claro das ações em campo. Pelo contrário, em alguns momentos, o Villa é que ditou o ritmo.

Em elenco com as  ambiciosas aspirações do Galo este ano, deveria existir reservas à altura dos titulares para que o time não sentisse tanto. Só como exemplo, peguem o plantel do Corinthians. Saem dois ali e o time não sente nem cosquinha. Têm reservas que mantêm o nível, o esquema e a fluidez de jogo.

Essa hiper-dependência de dois jogadores não é um bom sinal para o Atlético. Embora quase incomparáveis tecnicamente, deveriam ter peças de reposição com as mesmas características.

Até que Bernard tem em Luan um substituto que produz razoavelmente pelo lado esquerdo, embora corra mais do que raciocina. Mas Tardelli está absolutamente descoberto.

SOBRE O MINEIRÃO:

Considero o Mineirão um curral de luxo que trata gado holandês como gado pé duro. Com o ingresso na mão, a torcida enfrentou gargalos para entrar no estádio e algumas pessoas, apesar de terem chegado bem antes do início do jogo, só conseguiram assistí-lo aos 40 minutos do 1º tempo. Um absurdo de incompetência. Um verdadeiro acinte ao consumidor. E o pior, impunemente!

Segundo o dr. Jarbas Lacerda, o Galo deverá receber apenas 43% da renda. Isso traduz fielmente a ação entre amigos que o governo mineiro estabeleceu no estado. O protagonista do espetáculo _ que leva 48.000 pagantes ao estádio _ é o clube. Entretanto, quem ganha é a empreiteira. Absurdo dos absurdos!

Os pouco mais de 8.000 ingressos de renda exclusiva da Minas Arena (anel inferior) não foram vendidos, deixando vazios na arquibancada. A empreiteira carioca não se interessou em vendê-los. Seriam mais de R$ 1.300.000,00  a serem reduzidos nos pagamentos (R$ 3.700.000,00) que o governo, idiotamente, realiza todo santo mês.

Por ter esse montante garantido, a Minas Arena não se move para vender ingressos. Afinal, com um contrato assinado no qual a empreiteira entrou com a p… e todos nós (povo, clubes e governo) com a bunda, que interesse haveria? Às custas de amigos políticos, botaram o burro na sombra!

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SOMOS TODOS ATLETICANOS

EM HOMENAGEM AO ANIVERSÁRIO DO GALO.

Um dia, em algum programa de televisão, eu ouvi o Kalil dizer que todo mineiro é gerado atleticano. Naquele instante sagrado e prazeroso em que o espermatozóide penetra o óvulo, ele automaticamente vira um orgulhoso atleticano. É rápido assim como um estalar de dedos.

A partir daí ele vai crescendo dentro da barriga da mãe e, quando começa a sonhar _ sim, em algum momento o feto sonha _ ele já se visualiza empunhando uma bandeira preta e branca como se fosse um estandarte ungido pelos deuses.

E dissertando ainda mais sobre a tese _ que para mim, é um foco de luz sobre a ciência humana, digna merecedora de um Prêmio Nobel _ Kalil conclui: “Quando a criança nasce, a coisa muda de figura, pois apesar de milhões permanecerem apaixonadamente torcendo pelo Galo, outros tantos se perdem pela vida, se desviando do bom caminho”.

Nessa leva de espíritos fracos e subornáveis, alguns gatos pingados se tornam americanos e alguns outros chegam ao cúmulo de trair o aconchego do útero que os concebeu e se transformam _ que o bom Deus os perdoe _ em simpatizantes de certo time azul de estrelinhas graciosas.

Nesse ponto é que vão entender porque iniciei este comentário baseando-me na tese do Kalil. Eu descobri que… pasmem, senhoras e senhores… todo cruzeirense continua sendo, no fundo, um atleticano! Ele segue com o gene em seu sangue mesmo depois de nascido!

Calma. Não precisam me xingar disso ou daquilo. Cientificamente, é tão fácil provar quanto dois e dois são quatro. Não precisei perder noites e noites de sono consultando alfarrábios, livros de genética, estudos profundos da psicologia nem da alma transcendental. Foi apenas e tão somente um acaso. Explico:

Outro dia, fui a uma festinha de um cruzeirense amigo meu. Cruzeirenses como ele, mais uns quatro ou cinco. Eu era o único atleticano naquele quadrilátero cheio de choro  e ranger de dentes. A certa altura, depois de algumas cervejinhas, salgadinhos e conversas jogadas fora, o assunto entre eles _ eu só ouvia calado _ enveredou para o futebol. De repente, dei por mim inserido em um mundo surreal.

O assunto principal da noite não era o Cruzeiro com as suas estrelinhas graciosas, nem as suas contratações, nem o seu time classificado para a Libertadores. O tema era o Atlético. A mídia mineira é atleticana, tal comentarista da TV é galista, as contratações não vingarão, o time vai cair novamente para a segunda divisão e por aí afora. Enfim, noventa por cento do que se discutiu ali era relacionado ao Galo, embora, para disfarçar, usassem um tom de deboche e gozação que não foi capaz de me enganar, ah, não senhor! Não sou tão ingênuo assim!

Saí dali mais convencido do que nunca de que a palavra ATLÉTICO é tão doce e tão gostosa de pronunciar que o cruzeirense, ao pronunciá-la, se remete mentalmente _ como numa catarse _ ao útero materno, quando ainda era um verdadeiro atleticano e o caminho ainda era O bom caminho.

Eu aposto todas as minhas fichas que, se qualquer cruzeirense submeter-se a uma regressão com um psicólogo competente, em algum momento de sua viagem mental se verá encolhido em uma posição fetal e sob aquela pele rugosa e quase transparente, sentirá bater _ com toda força, como se fosse uma orquestra de mil instrumentos _ um coraçãozinho preto e branco. E nesse instante, será tomado por uma onda de felicidade tão grande que é bem capaz de abandonar o boquiaberto psicólogo e sair pulando de alegria pelas ruas da cidade, quicando feito um ioiô.

Neste caso inverossímil, provavelmente correremos o risco de a qualquer hora topar com um feto loucão passeando por aí, gargalhando igual aos personagens de Hitchcock.

Para quem ainda duvida da tese, comece a reparar mais à sua volta, quando à sua volta estiverem os azuis. Note que eles, ao abrirem uma página de esportes, primeiro lêem as notícias sobre o Galo. TODAS as notícias. Eles sabem mais sobre o Galo do que nós.

Perceba que nós atleticanos mal folheamos as notícias sobre o Cruzeiro. Eu mesmo nem as leio. Se isso não é a confirmação da verdade sobre a tese que lhes apresento, eu não sei mais o que é verdade nesse mundo de Deus.

Só mais uma coisa, que é pra sacramentar de uma vez por todas a minha tese:

Se a sua esposa é cruzeirense, quando ela estiver dormindo, experimente sussurrar a palavra GALO ao seu ouvido. Use um tom bem leve, como se estivesse acarinhando um bebê. Mais ou menos assim: Gaaallllooooo! Bem baixinho. Não se surpreenda se um sorriso bonito coroar-lhe a boca. Ao ver o sorriso, não se entusiasme a ponto de berrar um Galo de todo tamanho, pois para o plano dar certo, ela precisa continuar dormindo e não morrer de susto.

Posso garantir que no dia seguinte, ela passará e dobrará a sua querida camisa do Galo com um carinho que você nunca tinha visto antes. Se você persistir nesse tratamento durante alguns meses, você terá uma família muito mais feliz, muito mais atleticana.

Isso é o supra-sumo da felicidade plena, não é não? Experimente!

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TORCEDORES TÊM QUE SER DE VERDADE, ORGANIZADOS OU NÃO

Há algum tempo tenho pensado mais sobre torcidas organizadas do que ordinariamente faço. Como nunca fui integrante de uma, e sempre me preocupei mais com o time do que com elas, esse tema nunca mexeu muito comigo. É possível que este seja mais um dos muitos sintomas dessa insensibilidade que o mundo de hoje provoca na gente. Minhas reflexões recentes, aliás, começaram de forma meio egoísta, por conta de seguidas decepções causadas por fatos envolvendo a principal torcida do Galo (durante anos, quase a única): a Galoucura.

Integrantes dessa torcida assassinaram um cruzeirense há algum tempo. Nada justifica um absurdo desses.

Depois da reabertura do Independência fui a praticamente todos os jogos no estádio, da Copa do Brasil, do Brasileiro, do mineiro e da Libertadores. Concluí que a Galoucura já não é a mesma. Em vários jogos, a torcida não-organizada apoiou e empurrou muito mais do que a organizada. Ninguém me contou, eu vi e ouvi.

Há algumas semanas, finalmente, vim a saber que a torcida confeccionou (parece que já faz mais tempo) uma bandeira com Renê Barrientos, o militar boliviano que prendeu e matou Che Guevara. A pergunta óbvia: mas por quê isso? A resposta: é porque o símbolo da organizada rival azul-calcinha é o revolucionário argentino-cubano. A Galoucura justificou, em nota oficial no site, dizendo que não tem nada contra a democracia ou a favor da ditadura, mas fez isso apenas por rivalidade.

Barrientos tomou o poder na Bolívia com um golpe apoiado pela CIA, e derrubou um governo democraticamente eleito. Insanidade, burrice, ignorância, tudo tem limite. Meu respeito pela Galoucura, que já foi grande e veio minguando, acabou de vez.

Obviamente, não é privilégio nosso. Há algumas semanas aconteceu o inacreditável episódio da morte do menino Kevin Spada causada por integrantes da organizada do Corinthians. O clube foi punido, a princípio de forma mais dura, e depois a Conmebol “aliviou”. Um menor de idade, aparentemente “laranja”, veio a público dizer que era o culpado, e, ao que tudo indica, ganhou uma bolsa de estudos da torcida, agradecida que estava.

A torcida do Coritiba quebrou o estádio quando o clube foi rebaixado, há alguns anos.

Membros da torcida organizada do Palmeiras acabam de agredir o time no aeroporto. Esse pessoal, aliás, é bom nisso, já deve ser a centésima vez que eles agridem jogador do time.

Exemplos não faltam.

Qualquer reflexão sobre estas organizações e sobre as pessoas que as integram passam por uma pergunta: O QUÊ eles são? São torcedores, ou outra coisa? O quê?

Então, quem é torcedor e quem não é? Qualquer um que vai ao campo é torcedor? Para mim, não.

É torcedor, penso eu, quem vai ao campo e leva seu filho, sua filha, seu pai, sua mãe, para que estes sejam testemunhas de um ato de devoção, de amor. É quem se junta com os amigos para fazer crescer o apoio ao time. É quem vai para o campo, sozinho que seja, cantar o hino e gritar o nome do clube, e até xingar o juiz, por quê não? Não é quem sai de casa para brigar ou cantar que “vai dar porrada” e fazer e acontecer.

Torcedor, na minha opinião, é quem vai ao campo só porque gosta do time, porque quer vê-lo ganhar. É quem dá seu amor, seu tempo, seu dinheiro, sem pedir, esperar ou receber nada em troca. É quem gasta o salário para comprar ingresso, refrigerante, cerveja, passagem, tropeiro e o que mais houver, e dá seu tempo e sua voz ao clube que ama para estar ali, no estádio, sem receber NENHUMA vantagem do clube por isso.

Se houver qualquer contrapartida do clube, a relação, para mim, já não tem o mesmo valor. Já não é torcedor, é outra coisa e, sinceramente, saber que outra coisa é essa importa mais para a polícia do que para a torcida de verdade.

Ninguém sabe direito o que as organizadas ganham, mas é certo que ganham. Em alguns casos, ingressos de graça, às vezes ingressos mais baratos, que repassam com lucro, igualzinho (!) aos cambistas, outras vezes o transporte. Procure na internet e você vai ver. Em governança corporativa, dá-se a essa situação o nome de “conflito de agência”, onde quem deveria defender os interesses de quem o colocou em determinada posição acaba defendendo interesses próprios e conflitantes e, ainda que não deliberadamente, termina prejudicando aquele que deveria ser beneficiado.

A torcida deveria se organizar, sim, mas a torcida de verdade, aquela que gosta do clube, não do bolso do clube. Aquela que não tem conflito de interesses. No caso do Galo, movimentos organizados recentes, como os Embaixadores do Galo, a Fúria Alvinegra, o Movimento 105 Minutos, são exemplos de torcedores reais que se organizaram para torcer. Isso é torcida organizada, como o próprio nome diz.

A gota d’água, aliás, para eu escrever este texto, foi uma sequência de tuítes dos Embaixadores do Galo de dois dias atrás, onde eles disseram: “Agradecemos o carinho, os elogios que nós, Embaixadores do galo, estamos recebendo. Mas é bom enfatizar que fazemos parte da MASSA… e é a Massa q faz com que tudo isso seja um show! Somos uma das atraçoes. Agradecemos o apoio de todas as torcidas que nos acolheram de braços abertos e entenderam a nossa causa… Nao estamos concorrendo com ninguem. É TUDO EM PROL DO GALO MAIS LINDO DO MUNDO… Só uma obs: CAIU NO HORTO ,TA MORTO!!!!!”

Gente que não é torcedor DE VERDADE, que tem interesses contrapostos aos do clube, não pode formar uma “torcida organizada”. Pode, no máximo, formar uma organização qualquer, mas para se aproveitar, não para “torcer”, no sentido puro – e verdadeiro – da palavra.

Se eu pudesse falar a todos os atleticanos, que eu acredito – e os números provam – serem muito acima da média como torcedores, pediria para irem a campo, para cantarem o hino, gritarem o nome do time, apoiarem o tempo todo. Pediria para nunca vaiar ou xingar jogador, pelo menos não antes de acabar o jogo. Pediria, enfim, para nunca cantarem gritos de qualquer organização que, não estando ali incondicionalmente, está abaixo deles, torcedores verdadeiros, na relação com o time.

Cabe a nós, torcedores, apenas isso: torcer pelo Galo. Não nos aproveitarmos dele.

Cabe ao Galo não se deixar usar.

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PRÉVIA DE ATLÉTICO X THE STRONGEST

Hoje é quarta-feira, dia 06, véspera de um jogo fundamental para as pretensões do Galo na Copa Libertadores da América.

Muitos dão a vitória como fava contada. Ledo engano. Esse jogo será uma pedreira, se o The Strongest se posicionar como se posicionou contra o São Paulo. Só não será assim se o time boliviano decidir encarar o Atlético de igual para igual. Neste caso, sairá do Independência grogue de tantos gols tomados.

Hoje em dia, nenhum time da América do Sul _ incluindo os do Brasil, obviamente _ tem coragem de enfrentar o alvinegro mineiro de peito aberto. Nenhum deles tem a petulância que o Atlético teve, ao jogar ofensivamente para dentro do Arsenal de Sarandi em plena Argentina de los hermanos.

Porém, jogo é jogado e lambari é pescado. Não se ganha um jogo de véspera. Opiniões só servem para esquentar o debate esportivo e não influenciam em nada nas quatro linhas, onde o embate é travado entre duas equipes com o mesmo objetivo. Sai vencedor aquele que possui as melhores armas táticas e técnicas, além de muita vontade. Nada mais conta.

Que o Galo consiga transformar favoritismo em sinônimo de vitória.

E que a torcida, vestida de branco, passe uma mensagem de PAZ ao povo boliviano. Que demonstre para o mundo que o atleticano não é igual ao insano que disparou o sinalizador naval em Oruro. O futebol não foi feito para matar adolescentes de 14 anos.

Futebol é coração pulsante! É vida!

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